O que as empresas precisam de saber antes de controlar a humidade
A condensação numa tubagem, a humidade nas matérias-primas ou a perda de qualidade de um produto durante o armazenamento podem ter um fator comum: o controlo da humidade relativa do ar. Mas isso não significa que todos os casos exijam desumidificação.
A investigação científica ajuda a perceber porquê. Um estudo publicado no Journal of Food Science, em 2023, analisou o efeito das condições de armazenamento na estabilidade microbiológica e na segurança de duas variedades de amêndoa produzidas em Portugal. Outros trabalhos científicos abordam o controlo da humidade em processos industriais e de secagem, onde a relação entre temperatura e teor de água influencia os resultados.
A conclusão é clara: controlar a humidade não significa necessariamente reduzi-la ao mínimo. O objetivo pode ser manter um intervalo específico ou ajustar as condições ambientais ao processo. Além disso, aquecer o ar sem controlar a quantidade de vapor de água pode não ser suficiente para garantir uma secagem eficaz.
Neste artigo, analisamos sete mitos sobre a desumidificação que podem conduzir a decisões técnicas inadequadas e a custos desnecessários.
Mito 1: «Se aquecer o espaço, retiro a humidade»
Aquecer o ar não equivale, por si só, a retirar vapor de água. A humidade relativa indicada por um sensor pode descer apenas porque a temperatura subiu.
A humidade relativa indica quão próximo o ar está da saturação à temperatura a que se encontra. Se o ar aquecer sem que o vapor de água seja removido, essa percentagem baixa, mas a água continua no espaço. É por isso que importa distinguir a humidade relativa da quantidade efetiva de vapor de água presente no ar.
Um estudo realizado na ETAR da Póvoa da Galega ilustra o risco de confundir aquecimento com secagem. Os investigadores compararam a desidratação de lamas em leitos experimentais colocados dentro e fora de uma estufa. Dentro da estufa, a capacidade de redução do volume foi cerca de 50% inferior à registada no exterior. Os autores atribuíram o resultado à combinação de temperatura e humidade elevadas com falta de ventilação, que favoreceu a condensação e limitou o processo. Trata-se efetivamente de um estudo sobre lamas de ETAR, não de um ensaio de sobre desumidificadores; mas demonstra por que motivo a água libertada durante a secagem precisa de ser removida do ambiente.
Antes de decidir: identifique de onde vem a água e para onde irá o vapor libertado pelo aquecimento.
Mito 2: «Se a humidade relativa está aceitável, não pode haver condensação»
Pode haver condensação mesmo quando o sensor instalado no centro do espaço apresenta uma leitura aparentemente aceitável.
A condensação ocorre quando o ar entra em contacto com uma superfície cuja temperatura está abaixo do ponto de orvalho desse ar. Uma tubagem, uma estrutura metálica ou uma parede junto a uma zona fria pode, por isso, apresentar água à superfície sem que a humidade relativa média do ar pareça extrema.
A Direção-Geral da Saúde também relaciona a humidade excessiva com condensação em superfícies frias e possível desenvolvimento de bolores nos edifícios. Esta orientação refere-se à qualidade do ar interior; numa instalação industrial, o diagnóstico deve ainda considerar as temperaturas e exigências do processo.
Antes de decidir: meça a temperatura das superfícies afetadas e avalie o ponto de orvalho do ar que entra em contacto com elas.
Mito 3: «Abrir portas e janelas seca sempre o espaço»
A ventilação pode ajudar a remover humidade, mas o resultado depende das condições do ar exterior.
Se o ar que entra tiver um ponto de orvalho superior ao do ar interior, pode acrescentar vapor de água ao espaço. Em instalações com superfícies frias ou processos sensíveis à humidade, as entradas frequentes de ar devem, por isso, fazer parte da avaliação.
Isto não significa que a ventilação deva ser eliminada. É necessária para remover a humidade produzida pelas atividades, renovar o ar e limitar a acumulação de contaminantes. O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) salienta a importância dos sistemas de ventilação para a qualidade do ar interior e para o controlo dos riscos de condensação nos edifícios.
O efeito da ventilação depende, contudo, das condições existentes. Se o ar exterior tiver menor conteúdo de vapor de água, a renovação pode contribuir para secar o espaço. Se transportar mais humidade, pode aumentar a carga de água no interior. Por isso, ventilação e controlo da humidade devem ser avaliados em conjunto, tendo em conta a temperatura e o ponto de orvalho do ar exterior e interior.
O estudo da ETAR da Póvoa da Galega mostra a outra face do problema: naquela estufa, a ausência de ventilação contribuiu para a acumulação de humidade e para uma secagem menos eficaz. Ventilar pode, portanto, ajudar ou prejudicar, consoante as condições do ar que entra e os objetivos do processo.
Antes de decidir: compare as condições do ar interior e exterior e identifique quando ocorrem as entradas de ar.
Mito 4: «Quanto mais baixa for a humidade, melhor»
Não existe uma percentagem de humidade ideal para todos os produtos e processos.
Um estudo desenvolvido numa fábrica de massas em Águas Santas avaliou as condições antes e depois da instalação de um novo sistema de climatização. Após a alteração, os investigadores registaram uma diminuição da temperatura e um aumento da humidade relativa do ar, ambos pretendidos naquele processo. Verificaram também que uma maior proporção da massa produzida passou a apresentar teores de humidade dentro do intervalo desejado de 11,5% a 12,5%. O estudo analisou uma instalação e uma intervenção concretas; no entanto, os resultados não definem valores adequados para outras indústrias.
Outro ensaio, realizado por investigadores ligados ao Instituto Politécnico de Bragança, comparou o armazenamento de duas variedades de amêndoa durante nove meses, em três condições: refrigeração a cerca de 4 °C, 60% de humidade relativa a 25 °C e 70% de humidade relativa a 25 °C. Os autores concluíram que, nas condições testadas, 60% de humidade relativa a 25 °C constituiu uma boa opção para manter a estabilidade microbiológica e a segurança das amêndoas. Este resultado é específico para os produtos e condições estudados; contudo, não transforma os 60% numa regra para qualquer armazém.
Um caso real da Ameno, numa unidade industrial de batata-doce na Comporta, demonstra como as necessidades de humidade variam ao longo do processo. Em três armazéns, com um volume total de 17 500 m³, foi implementado um sistema integrado de controlo da humidade, temperatura e ventilação. Durante o armazenamento, a solução mantém uma humidade relativa de cerca de 85% e uma temperatura entre 18 °C e 20 °C, com recurso a humidificação por aspersores de alta pressão. Após o embalamento, o objetivo muda: a humidade relativa deve descer abaixo dos 50%, para proteger a integridade das embalagens, pelo que são utilizados desumidificadores por adsorção.
Este caso evidencia que o controlo da humidade não consiste em reduzi-la sempre, mas em ajustá-la às necessidades específicas de cada fase do processo.
Antes de decidir: defina o intervalo necessário para o produto, a fase de produção ou o material armazenado. Só depois faz sentido avaliar se é preciso desumidificar, humidificar ou controlar também a temperatura e a ventilação.
Mito 5: «Um desumidificador resolve qualquer problema de água»
Um desumidificador reduz a quantidade de vapor de água presente no ar. Não repara uma infiltração, uma fuga numa tubagem ou outra entrada contínua de água líquida.
Pode ser essencial para acelerar a secagem de um espaço após a correção da origem do problema. Porém, se essa origem permanecer ativa, a humidade pode regressar. O diagnóstico deve distinguir a água que entra pelo edifício, a humidade libertada pelos materiais e o vapor produzido pela atividade.
Em Portugal, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) aborda, num relatório técnico disponibilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente, a relação entre a humidade, a condensação e o desenvolvimento de bolor nos edifícios. Esta perspetiva reforça a importância de avaliar as condições do espaço e identificar as causas do excesso de humidade antes de selecionar uma solução.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) recomenda a correção da origem da humidade e a secagem rápida dos materiais afetados. Nos casos de danos causados por água, indica um prazo de 24 a 48 horas, sempre que possível, para reduzir o risco de desenvolvimento de bolor. Esta orientação não constitui uma garantia de secagem completa nem um prazo universal para operações industriais.
Antes de decidir: identifique e corrija a entrada de água. Depois, avalie a humidade dos materiais e defina como será confirmada a secagem.
Mito 6: «Os desumidificadores funcionam da mesma maneira»
Existem duas tecnologias principais de desumidificação industrial: por condensação e por adsorção. Embora ambas retirem vapor de água do ar, funcionam de forma diferente e respondem a necessidades distintas.
Nos sistemas por condensação, o ar é arrefecido até que parte do vapor de água condense e possa ser recolhida. São frequentemente utilizados em espaços com temperaturas moderadas ou elevadas, como edifícios, armazéns e áreas de produção, quando as condições permitem uma remoção eficaz da humidade.
Nos sistemas por adsorção, o vapor de água é retido por um material dessecante, que depois é regenerado através de calor ou de outro processo. Esta tecnologia é particularmente útil quando é necessário atingir níveis de humidade muito baixos, trabalhar a temperaturas reduzidas ou controlar a humidade em processos industriais sensíveis. Pode, por exemplo, ser relevante na indústria farmacêutica, na produção alimentar, no armazenamento de materiais higroscópicos e em processos que exigem condições ambientais rigorosas.
A escolha não depende apenas da tecnologia. A temperatura do ar, a quantidade de água a remover, o ponto de orvalho pretendido, as condições de funcionamento e o consumo energético influenciam o desempenho de cada solução. A desumidificação por adsorção pode ser mais adequada em determinadas condições, mas não é necessariamente a opção mais eficiente ou económica em todos os cenários.
Antes de decidir: defina o nível de humidade necessário e avalie as condições reais da instalação. A comparação entre tecnologias deve considerar o desempenho esperado e o consumo energético para o mesmo objetivo de desumidificação.
Mito 7: «Basta escolher o equipamento pela área»
A área ajuda a caracterizar o espaço, mas não revela a carga de humidade.
Dois armazéns com a mesma dimensão podem exigir respostas diferentes. Um pode manter-se fechado e receber produtos secos; outro pode ter cais abertos, mercadoria húmida, lavagem frequente ou superfícies frias com condensação.
Os estudos portugueses apresentados neste artigo ajudam a perceber porquê. Na fábrica de massas, o objetivo incluía aumentar a humidade relativa para melhorar as condições do processo. Na ETAR, era necessário retirar a água libertada durante a secagem. No ensaio com amêndoas, os investigadores compararam condições específicas de temperatura, humidade e duração do armazenamento. Nenhuma destas decisões se poderia tomar apenas com base nos metros quadrados.
Antes de decidir: avalie o volume do espaço, as entradas de ar, as fontes de água, os materiais, a temperatura e o período durante o qual as condições pretendidas têm de ser mantidas.
Controlar a humidade começa por definir o objetivo
Os estudos realizados em Portugal mostram que «ter humidade» não descreve, por si só, um problema técnico. É necessário saber onde está a água, o que se pretende proteger e quais as condições necessárias em cada fase da operação.
Antes de escolher uma solução, vale a pena responder a três perguntas:
- De onde vem a água ou o vapor de água?
- Que intervalo de temperatura, humidade ou ponto de orvalho exige o processo?
- Como serão medidas essas condições antes e depois da intervenção?
Com estas respostas, é possível determinar se a operação necessita de desumidificação, de melhor ventilação, de controlo das entradas de ar ou de uma combinação de medidas.
A Ameno disponibiliza soluções de desumidificação industrial por adsorção e analisa as condições específicas de cada instalação. Se enfrenta problemas de condensação, secagem ou controlo de humidade em armazéns e processos industriais, fale com a equipa técnica da Ameno para avaliar a solução adequada.
Fontes
- Politécnico do Porto. Impacto do funcionamento do sistema AVAC nos consumos específicos de energia no fabrico de massas.
- Instituto Superior Técnico. Avaliação da desidratação de lamas de ETAR: o caso de estudo da Póvoa da Galega.
- Rodrigues, P. et al. (2023). Effect of different storage conditions on the stability and safety of almonds. Journal of Food Science.
- Direção-Geral da Saúde. Ar interior.
- Met Office. Understanding humidity.
- ASHRAE. Informação técnica sobre humidade e condensação em superfícies.
- EPA. A Brief Guide to Mold, Moisture and Your Home.
- Penn State Extension. Sweetpotato Curing and Storage.
- Ameno. Controlo de humidade na batata-doce: estudo de caso.


